Impenhorabilidade relativizada: quando o salário pode responder por dívidas da família

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A impenhorabilidade relativizada do salário ganha força quando a dívida nasce para sustentar o lar. Por isso, ela exige prova e análise concreta.

Resumo em linguagem direta

  • Primeiro, o TJSP manteve bloqueio apesar da alegação de salário.
  • Além disso, o Tribunal cobrou prova completa da origem dos valores.
  • Depois, ele destacou dívida de locação residencial ligada à economia doméstica.
  • Por fim, ele aplicou a lógica da impenhorabilidade relativizada.

Impenhorabilidade relativizada: o que significa

A impenhorabilidade relativizada permite penhora parcial de salário em situações específicas. Contudo, o juiz deve preservar o mínimo existencial do devedor e da família.

Assim, o artigo 833, inciso IV, do Código de Processo Civil protege o salário. Porém, a jurisprudência admite mitigação quando a medida mantém dignidade e proporcionalidade.

Base normativa central

  • Além disso, o Código de Processo Civil trata do tema no artigo 833, inciso IV.
  • Depois, o Código de Processo Civil disciplina a impugnação no artigo 854, parágrafo terceiro.
  • Por consequência, o Código Civil trata da economia doméstica nos artigos 1.643 e 1.644.
  • Por fim, o Código de Processo Civil conecta a responsabilidade no artigo 790, inciso IV.

Impenhorabilidade relativizada no caso do TJSP

No Agravo de Instrumento número 2236905-15.2025.8.26.0000, a credora recorreu. Assim, o TJSP analisou bloqueios em cumprimento de sentença de locação residencial.

A agravante foi NBM Construtora e Incorporadora Ltda. ME. Além disso, os agravados foram Patrícia Garcia, Wilson Marcos Garcia e Ygor Silva Bezerra.

Os executados alegaram verba salarial. Entretanto, o Tribunal considerou a prova insuficiente e manteve a constrição.

Ponto analisadoConclusão prática
Origem salarial do valorO Tribunal exigiu comprovação integral e organizada.
Conjunto financeiro da famíliaO Tribunal avaliou contexto e movimentações, não apenas o rótulo “salário”.
Finalidade do débitoA locação residencial indicou vínculo com economia doméstica.
ResultadoPor isso, o TJSP manteve a penhora e afastou a liberação automática.

Economia doméstica e impenhorabilidade relativizada

A dívida de moradia costuma integrar a economia doméstica. Portanto, ela pode irradiar responsabilidade dentro do núcleo familiar, conforme o Código Civil.

Assim, a discussão deixa de ser só “salário é impenhorável”. Em vez disso, ela passa a ser “qual parte do salário pode responder sem violar a subsistência”.

Exemplos típicos de economia doméstica

  • Primeiro, despesas de moradia e locação residencial.
  • Além disso, contas essenciais do lar, como água, energia e internet.
  • Por fim, obrigações assumidas para beneficiar a família.

Por que o TJSP aplicou a impenhorabilidade relativizada

O TJSP seguiu orientação do Superior Tribunal de Justiça sobre penhora de percentual. Assim, ele admite mitigação quando o bloqueio preserva a dignidade.

Contudo, o executado precisa demonstrar impacto real do bloqueio. Além disso, ele deve explicar entradas, transferências e o uso do dinheiro.

CritérioComo você argumenta
Prova da natureza salarialVocê junta extratos completos e holerites do mesmo período.
Mínimo existencialVocê demonstra despesas essenciais e dependentes, com documentos.
Percentual razoávelVocê propõe percentual que preserve subsistência e viabilize pagamento.
Finalidade da dívidaVocê enquadra ou refuta a economia doméstica com fatos do contrato.

Ônus da prova na impenhorabilidade relativizada

O executado precisa agir rápido após o bloqueio. Por isso, o artigo 854, parágrafo terceiro, do Código de Processo Civil impõe prazo e exige prova.

Além disso, prova parcial costuma falhar. Assim, a tese de impenhorabilidade pode ruir quando faltam extratos, declarações e comprovação de renda.

Checklist de prova para alegar impenhorabilidade

  1. Primeiro, apresente extratos completos de todas as contas.
  2. Depois, junte comprovantes de renda do mesmo período do bloqueio.
  3. Além disso, comprove despesas essenciais com recibos e faturas.
  4. Por fim, explique transferências e entradas de terceiros.

Impenhorabilidade relativizada: o que muda na estratégia

Para o credor, a estratégia pede leitura do padrão financeiro do devedor. Além disso, ela exige pedidos de informações e rastreio com método.

Para o devedor, a estratégia pede transparência documental. Portanto, ele precisa provar subsistência e propor solução proporcional.

  • Primeiro, o credor pode pedir análise global de contas e movimentações.
  • Além disso, o devedor deve organizar prova e sugerir penhora parcial viável.
  • Por fim, ambos devem tratar a impenhorabilidade relativizada como debate probatório.

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Por Paulo Vitor Faria da Encarnação.

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