Penhora de salário: dignidade humana e impenhorabilidade no CPC

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A penhora de salário exige cuidado técnico. Afinal, o CPC protege verbas alimentares e preserva a dignidade humana. Ainda assim, a jurisprudência admite exceções em cenários específicos.

Neste guia, você entende quando a penhora de salário pode ocorrer. Além disso, você aprende como sustentar a tese com estratégia. Por fim, você ganha um roteiro prático para petições e decisões.


Penhora de salário: regra de impenhorabilidade

A regra geral protege salários, proventos, pensões e honorários profissionais. Portanto, o juiz deve barrar a constrição que atinja o sustento. Assim, o sistema resguarda o mínimo existencial.

Ideia-chave: a impenhorabilidade existe para preservar a subsistência. Logo, o processo não pode impor sacrifício desumano ao devedor.

  • Proteção típica: salários, vencimentos, aposentadoria, pensões e verbas de sustento.
  • Proteção ampliada: ganhos de autônomo e honorários de profissional liberal.
  • Justificativa: preservação da dignidade e do mínimo existencial.

Para leitura oficial da lei, acesse o texto do CPC no Planalto. Em seguida, confira o art. 833 e suas exceções.

CPC/2015 (Planalto) – Art. 833


Penhora de salário: exceções e limites

O próprio CPC admite exceções. Contudo, o juiz deve aplicar limites claros. Desse modo, a execução não destrói a vida cotidiana do devedor.

Atenção: a penhora pode ocorrer para pagamento de prestação alimentícia. Além disso, pode atingir excedente acima de 50 salários-mínimos mensais.

SituaçãoRegraPonto de controle
Dívida comumImpenhorabilidade como regraPreservar mínimo existencial
Prestação alimentíciaExceção legal à impenhorabilidadeAplicar percentuais e técnica do CPC
Renda muito altaPossível atingir excedenteEvitar confisco e manter dignidade

Além disso, a Constituição traz a dignidade como fundamento do Estado. Portanto, o juiz deve ponderar direitos fundamentais de credor e devedor.

Constituição Federal (Planalto) – Art. 1º, III


Penhora de salário: quando a jurisprudência relativiza

A jurisprudência relativiza a impenhorabilidade em casos excepcionais. Contudo, ela exige que o devedor mantenha uma vida digna. Assim, o juiz deve analisar renda, despesas e contexto.

Critério prático: muitos julgados verificam se o percentual compromete a subsistência. Em seguida, autorizam constrição moderada quando sobra renda suficiente.

  1. Primeiro, o credor tenta meios menos gravosos.
  2. Depois, o juiz mede o impacto da constrição no orçamento.
  3. Então, o juiz fixa percentual proporcional e revisável.
  4. Por fim, o juiz registra a motivação com dados do caso.

Além disso, alguns julgados usam patamar de hipossuficiência. Assim, a renda abaixo de certo nível tende a afastar a constrição. Por outro lado, renda elevada pode permitir penhora moderada.


Penhora de salário: checklist para petição

Se você busca bloquear salário, organize os fatos. Em seguida, foque na proporcionalidade. Assim, você aumenta a chance de deferimento.

Checklist do credor

  • Comprove tentativas de localizar bens e ativos comuns.
  • Demonstre a frustração de meios executivos menos invasivos.
  • Indique percentual razoável e justificável.
  • Proponha preservação do mínimo existencial com dados.
  • Peça revisão do percentual se surgir prova nova.

Se você defende o executado, estruture a prova do orçamento. Além disso, detalhe despesas essenciais. Assim, você sustenta a impenhorabilidade.

Checklist do devedor

  • Comprove renda líquida real e descontos obrigatórios.
  • Liste despesas essenciais com documentos idôneos.
  • Demonstre dependentes e gastos de saúde, se existirem.
  • Peça substituição por meio menos gravoso, se possível.
  • Requeira desbloqueio imediato quando houver excesso.

Penhora de salário: dúvidas frequentes

1) O juiz pode penhorar 30% do salário?

Pode, em alguns casos. Porém, o juiz deve preservar a dignidade e o mínimo existencial. Assim, o percentual varia conforme a prova do caso.

2) Honorários advocatícios sempre permitem penhora?

Nem sempre. Contudo, decisões reconhecem natureza alimentar e admitem penhora moderada. Ainda assim, o juiz precisa evitar comprometimento da subsistência.

3) E quando o valor pertence ao filho menor?

O juiz tende a impedir a constrição. Afinal, o menor não responde por dívida alheia. Portanto, a prova da origem do depósito é decisiva.


Penhora de salário: próximos passos

Se você enfrenta penhora, reaja com técnica. Além disso, reúna documentos do orçamento. Assim, você acelera o convencimento do juízo.

Paulo Vitor Faria da Encarnação
OAB/ES 33.819 – Santos Faria Sociedade de Advogados

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