Purgação da mora em ação de despejo: o que o STJ decidiu e como isso afeta locações no Espírito Santo

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Purgação da mora em ação de despejo: o que mudou na prática

A purgação da mora ainda é uma ferramenta importante na ação de despejo. No entanto, o STJ deixou claro que o locatário precisa agir com precisão, rapidez e coerência.

Ponto central: quem pretende purgar a mora deve pagar o débito integral no prazo legal.

Além disso, não pode transformar esse momento processual em disputa sobre cálculos que considera indevidos.

Por isso, a estratégia adotada no início da ação pode definir a manutenção ou a perda da locação.

O que é purgação da mora

A purgação da mora permite ao locatário evitar a rescisão do contrato em ação de despejo por falta de pagamento. Para isso, ele deve quitar o débito nos termos exigidos pela Lei do Inquilinato.

Em regra, o pagamento precisa incluir aluguel, encargos, juros, multa, custas e honorários. Assim, o depósito incompleto cria risco real de despejo.

Na prática, a purgação da mora exige

  • pagamento integral do débito;
  • observância rigorosa do prazo legal;
  • conduta compatível com a intenção de manter a locação;
  • atenção técnica ao cálculo apresentado no processo.

Purgação da mora e contestação do débito

O entendimento consolidado é direto. Se o locatário escolhe purgar a mora, ele deve adotar uma postura compatível com esse objetivo.

Portanto, quando a parte deposita valor insuficiente e, ao mesmo tempo, impugna os cálculos do locador, surge uma incompatibilidade processual relevante. Nesse cenário, o Judiciário pode concluir que não houve purgação válida.

Conduta do locatárioEfeito jurídico provável
Deposita o valor integral no prazoMaior chance de evitar a rescisão da locação
Deposita valor parcial e tenta discutir o débitoRisco elevado de o depósito ser considerado inválido
Complementa fora da lógica legal ou insiste na litigiosidadeProsseguimento da ação de despejo

O que o STJ decidiu sobre purgação da mora

O STJ reafirmou que a purgação da mora não admite uso contraditório. Em outras palavras, o locatário não pode agir como quem quer preservar o contrato e, ao mesmo tempo, insistir em contestação incompatível com o pagamento integral.

Além disso, o Tribunal destacou que a oportunidade de complementar depósito não autoriza tentativas sucessivas, nem permite adiar indefinidamente a regularização da dívida.

Alerta estratégico

Em ação de despejo, a escolha entre pagar integralmente ou discutir o débito precisa ser técnica desde o início.

Por isso, decisões improvisadas costumam aumentar o passivo, acelerar a rescisão e reduzir a margem de defesa.

Impactos da purgação da mora no Espírito Santo

No Espírito Santo, essa orientação tem efeito prático imediato em locações residenciais e comerciais. Isso é ainda mais sensível em cidades com forte dinâmica imobiliária, como Vila Velha, Vitória, Serra e Cariacica.

Em locações empresariais, o erro no cálculo ou na estratégia pode comprometer o ponto comercial. Por consequência, o prejuízo deixa de ser apenas processual e passa a afetar faturamento, clientela e continuidade da atividade.

Vitória

Mercado urbano aquecido e maior incidência de conflitos locatícios com reflexos patrimoniais relevantes.

Vila Velha

Locações comerciais e residenciais exigem resposta rápida para evitar perda do imóvel e agravamento da dívida.

Serra e Cariacica

A análise preventiva do contrato e dos encargos reduz litígios e melhora a tomada de decisão.

Como agir diante da purgação da mora

Se o locador pretende retomar o imóvel, precisa apresentar cálculos consistentes, cobrar corretamente os encargos e estruturar a ação com segurança documental. Em paralelo, deve evitar falhas que possam atrasar a retomada.

Se o locatário deseja manter a locação, precisa avaliar com precisão se vale purgar a mora ou discutir o débito por outra via. Dessa forma, reduz riscos e evita uma postura processual contraditória.

Checklist objetivo

  1. Analise o contrato de locação e os aditivos.
  2. Confirme o valor integral do débito.
  3. Verifique o prazo processual aplicável.
  4. Defina uma estratégia coerente desde a primeira manifestação.
  5. Evite depósitos parciais sem avaliação técnica.
  6. Documente toda comunicação de forma compatível com a LGPD.

Atuação preventiva em locação no Espírito Santo

A prevenção continua sendo a melhor escolha. Contratos bem redigidos, planilhas de encargos organizadas e comunicação formal reduzem conflitos e fortalecem a posição jurídica das partes.

Além disso, a adequação à LGPD é indispensável no tratamento de dados de locadores, locatários, fiadores e representantes. Assim, a gestão do contrato precisa ser juridicamente eficiente e informacionalmente segura.

Paulo Vitor Faria da Encarnação

Advogado – OAB/ES 33.819

Mestre em Direito Processual pela UFES

Queiroz Santos Faria Sociedade de Advogados

OAB/ES 24.034675-4394

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