Art. 19 do Marco Civil no STF: repercussão geral, pilares do debate e impactos práticos

Ilustração genérica de balanço entre liberdade de expressão e proteção de direitos da personalidade

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Art. 19 do Marco Civil e o julgamento no STF

O STF analisa o art. 19 do Marco Civil para definir como as plataformas digitais devem agir diante de conteúdos de terceiros. Assim, a decisão influenciará tanto a liberdade de expressão quanto a proteção da personalidade no ambiente digital.

Por que o Marco Civil chegou ao STF

Uma usuária identificou um perfil falso no Facebook e pediu exclusão e indenização. Embora o juiz tenha determinado a remoção do perfil, negou o pedido de dano moral. No entanto, o Colégio Recursal de Piracicaba entendeu que a plataforma era responsável, mesmo sem ordem judicial. Por essa razão, a controvérsia chegou ao STF, que reconheceu a repercussão geral do tema.

O que o STF está discutindo sobre o Marco Civil

O Supremo avalia se o art. 19 da Lei 12.965 harmoniza a liberdade de expressão com a tutela da honra. Além disso, examina se o provedor deve agir após simples notificação extrajudicial ou somente mediante decisão judicial específica. Desse modo, o julgamento poderá definir novos critérios de responsabilidade civil para empresas e usuários.

  • Fiscalização prévia de conteúdo pelas plataformas.
  • Efetividade das notificações extrajudiciais.
  • Responsabilidade antes de ordem judicial.

Como o Marco Civil regula a responsabilidade

O art. 19 prevê que o provedor só responde civilmente se, após ordem judicial, não remover o conteúdo indicado. Dessa forma, o legislador buscou proteger a liberdade de expressão e evitar censura prévia. Contudo, à medida que o ambiente digital evolui, cresce a discussão sobre a suficiência dessa regra diante de danos imediatos e massivos.

Impactos do Marco Civil para usuários e plataformas

Com o julgamento, o STF pretende definir se a proteção da honra pode prevalecer sobre a exigência de ordem judicial. Assim, tanto usuários quanto empresas precisarão adaptar condutas e políticas.

Usuários

  • Maior proteção contra ofensas e perfis falsos.
  • Possibilidade de reparação mais célere.

Plataformas

  • Necessidade de resposta rápida e transparente.
  • Ampliação do risco de responsabilização civil.

Mercado

  • Aumento dos custos de compliance e moderação.
  • Busca por estabilidade e segurança regulatória.

Consequentemente, a decisão do STF influenciará diretamente a governança das redes sociais e o equilíbrio entre direitos fundamentais.

Linha do tempo do Marco Civil até o STF

  1. 2014: entrada em vigor da Lei 12.965.
  2. Decisão paulista responsabiliza a plataforma.
  3. 2018: relator propõe repercussão geral.
  4. Plenário reconhece a repercussão e inclui o tema em pauta.

Desde então, o processo passou a orientar discussões em todo o país sobre a responsabilidade das plataformas digitais.

Como agir enquanto o julgamento segue

Enquanto o STF não conclui a análise, empresas e usuários devem adotar medidas preventivas. Afinal, a conduta proativa reduz riscos e demonstra boa-fé.

  • Empresas: revisar termos de uso e políticas de moderação.
  • Usuários: registrar notificações e provas de ofensas.
  • Advogados: acompanhar o tema para orientar clientes e empresas.

Além disso, é fundamental manter canais de atendimento claros e acessíveis, pois a transparência fortalece a confiança e evita litígios.

Fontes e links de referência

Por fim, acompanhe nossos conteúdos para entender como o STF definirá os novos limites da responsabilidade digital no Brasil.

Paulo Vitor Faria da Encarnação

Advogado OAB/ES 33.819

Mestre em Direito Processual pela UFES

Sócio do Santos Faria Sociedade de Advogados

E-mail: [email protected]

Vila Velha ES

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