Corte de energia na sexta-feira: regras e cuidados

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Quando a suspensão na sexta-feira é proibida?

O corte por falta de pagamento não pode começar às sextas-feiras, sábados, domingos, feriados ou vésperas de feriado (Lei 14.015/2020). Para essa modalidade de suspensão, a ANEEL também determina a execução entre 8h e 18h, nos dias permitidos (Resolução ANEEL 1.000/2021, art. 359).

A regra se refere à suspensão por inadimplemento e não deve ser apresentada como proibição absoluta de qualquer interrupção, independentemente da causa (Lei 14.015/2020). A própria regulamentação distingue hipóteses de suspensão e prevê tratamento específico para situações emergenciais e razões técnicas ou de segurança (Resolução ANEEL 1.000/2021, art. 360).

Aviso prévio e pagamento

Nos casos de inadimplemento, a notificação deve anteceder a suspensão em pelo menos 15 dias, segundo a regulamentação da ANEEL (Resolução 1.000/2021, art. 360, § 1º, II). A norma considera indevida, entre outras hipóteses, a suspensão quando a fatura foi paga até a data-limite indicada no aviso ou quando o pagamento por código PIX ocorreu antes da execução do corte (Resolução 1.000/2021, art. 361).

Por isso, recomendamos guardar a notificação, a fatura e o comprovante com data e horário. Também é útil registrar o protocolo da comunicação feita à distribuidora.

Qual é o prazo para religar?

Não existe um prazo único de 24 horas para todas as situações: a ANEEL diferencia suspensão indevida, religação normal e religação de urgência, além de área urbana e rural (Resolução 1.000/2021, art. 362). Os prazos do quadro devem ser lidos juntamente com as regras de início da contagem (Resolução 1.000/2021, art. 362, §§ 1º e 2º).

SituaçãoPrazo
Suspensão indevida4 horas (ANEEL, art. 362, I)
Religação normal em área urbana24 horas (ANEEL, art. 362, IV)
Religação normal em área rural48 horas (ANEEL, art. 362, V)
Religação de urgência em área urbana, quando disponível4 horas (ANEEL, arts. 362, II, e 363)
Religação de urgência em área rural, quando disponível8 horas (ANEEL, arts. 362, III, e 363)

Na suspensão indevida, o prazo começa com a constatação da situação ou a comunicação do consumidor, independentemente do dia e do horário (ANEEL, art. 362, § 1º). Nessa hipótese, a distribuidora não pode cobrar pela religação (ANEEL, art. 365, § 3º).

Na religação normal ou de urgência, a contagem começa com a comunicação do pagamento, a compensação do débito no sistema ou a solicitação, se ocorrerem em dia útil entre 8h e 18h; fora desse intervalo, começa às 8h do dia útil seguinte (ANEEL, art. 362, § 2º). Uma vez iniciado, o prazo é contado continuamente, sem interrupção, e a oferta de religação de urgência é opcional para a distribuidora (ANEEL, arts. 362 e 363).

O caso julgado pelo TJSP

Em 20 de outubro de 2025, a 28ª Câmara de Direito Privado do TJSP julgou a Apelação 1011986-90.2024.8.26.0066, sob relatoria do desembargador Michel Chakur Farah (TJSP, inteiro teor). O consumidor teve a energia suspensa na sexta-feira, 22/11/2024, pagou e pediu a religação no mesmo dia, mas o serviço foi restabelecido apenas em 25/11/2024, depois das 17h (TJSP, inteiro teor).

A concessionária alegou que havia realizado um “recorte”, relacionado a religação à sua revelia, mas o tribunal considerou insuficiente a prova dessa situação (TJSP, inteiro teor). Ao examinar a demora, o voto também citou o prazo de 24 horas previsto para religação normal em área urbana (TJSP, inteiro teor).

O TJSP manteve a indenização de R$ 5.000 por dano moral e majorou os honorários advocatícios para 20% do valor da causa, diante das circunstâncias daquele processo (TJSP, inteiro teor). Esses números descrevem o resultado do julgamento, não uma tabela de indenizações ou garantia de resultado para outras situações (TJSP, fundamentação do valor indenizatório).

Como documentar a interrupção

Recomendamos organizar os registros antes de apresentar uma reclamação ou solicitar análise jurídica. Um relato objetivo pode reunir:

  • Interrupção: data, horário e motivo informado pela distribuidora.
  • Pagamento: fatura, comprovante e eventual aviso prévio.
  • Atendimento: protocolos, respostas e horário do pedido de religação.
  • Restabelecimento: data e horário em que a energia voltou.
  • Consequências: documentos de despesas ou prejuízos que se pretenda demonstrar.

Este conteúdo apresenta regras gerais e um caso concreto, sem substituir a análise da documentação. Conheça a atuação da Santos Faria Sociedade de Advogados em Direito do Consumidor e suas informações de atendimento.

Autor: Paulo Vitor Faria da Encarnação, OAB/ES 33.819, mestre em Direito Processual pela UFES. Santos Faria Sociedade de Advogados, Vila Velha/ES.

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