IOF em renovação e novação de dívidas acima de 365 dias: quando a cobrança é indevida

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A cobrança de IOF em renegociações de dívidas gera controvérsia frequente. Por isso, a Receita Federal fixou critérios objetivos para evitar tributação indevida.

Cobrança de IOF: por que a orientação da Receita é relevante

Operações de crédito de longo prazo costumam passar por renovação ou novação. Assim, instituições financeiras e tomadores precisam saber quando o IOF pode ser exigido novamente.

Além disso, a cobrança incorreta eleva o custo do financiamento. Portanto, conhecer a regra evita prejuízos e disputas desnecessárias.

Cobrança de IOF em dívidas com prazo superior a 365 dias

Nos contratos com prazo superior a um ano, o IOF atinge um limite máximo legal. Desse modo, a tributação não pode ultrapassar esse teto.

Contudo, dúvidas surgem quando ocorre renovação ou novação do contrato. Por isso, a Receita Federal analisou o tema na Solução de Consulta Cosit nº 313/2018 :contentReference[oaicite:0]{index=0}.

Regra central: se a operação original já foi tributada pela alíquota máxima, não cabe novo IOF sobre o saldo remanescente.

Cobrança de IOF: diferença entre saldo antigo e valor novo

A Receita Federal separou dois elementos na renegociação. Assim, apenas um deles pode gerar nova incidência de IOF.

ElementoTratamento do IOF
Saldo remanescente do contrato antigo Não sofre nova cobrança, pois o IOF já atingiu o limite máximo legal.
Valor adicional liberado na renegociação Sofre incidência de IOF, pois constitui nova base de cálculo.

Exemplos práticos de cobrança de IOF na renegociação

Para facilitar a aplicação da regra, a Receita apresentou cenários didáticos. Assim, o contribuinte consegue identificar cobranças indevidas.

  • Cenário 1: contrato de 180 dias renovado por mais um ano. Nesse caso, há IOF apenas até completar 365 dias.
  • Cenário 2: contrato acima de 365 dias renegociado sem novos valores. Portanto, não há novo IOF.
  • Cenário 3: contrato acima de 365 dias com novo aporte. Assim, o IOF incide somente sobre o valor adicional.

Caso concreto analisado pela Receita Federal

No caso examinado, dois empréstimos consignados de 96 meses foram consolidados. Além disso, houve liberação de pequeno valor adicional.

Contudo, o banco cobrou IOF sobre todo o montante renegociado. Assim, incluiu indevidamente saldos já tributados pela alíquota máxima.

Por isso, a Receita concluiu que o IOF só poderia incidir sobre o valor novo, e não sobre o saldo antigo :contentReference[oaicite:1]{index=1}.

Implicações práticas da cobrança de IOF indevida

A orientação tem impacto direto para consumidores e empresas. Portanto, atenção aos detalhes contratuais é essencial.

  • Primeiro, verifique se o contrato original tinha prazo superior a 365 dias.
  • Em seguida, confira se o IOF já atingiu a alíquota máxima.
  • Além disso, identifique se houve liberação de novos valores.
  • Por fim, avalie a possibilidade de restituição do IOF pago a maior.

Onde consultar a base legal da cobrança de IOF

Para segurança jurídica, é recomendável consultar os textos oficiais. Assim, o contribuinte fundamenta corretamente sua contestação.

Autor: Paulo Vitor Faria da Encarnação – advogado, mestre em Direito Processual.

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