Penhora de salário: STJ proíbe negativa automática e exige análise do caso concreto

Compartilhe esse post

Penhora de salário: STJ exige análise concreta e rejeita negativa automática

A penhora de salário voltou ao centro da execução, e o STJ foi objetivo. Portanto, os tribunais não podem afastar a medida sem examinar o caso concreto.

O que o STJ fixou sobre penhora de salário

O STJ afirmou que o Tribunal local não pode negar, de plano, a penhora de salário por “vedação absoluta”. Além disso, o STJ mandou o TJDFT analisar a viabilidade da penhora parcial, de forma concreta.

A 3ª Turma decidiu que a jurisprudência admite mitigar a impenhorabilidade do art. 833, IV, do CPC. Assim, o juiz deve preservar o mínimo existencial e a dignidade do devedor.

Penhora de salário e o “mínimo existencial” na prática

  • Primeiro, você identifica a renda real e a fonte de pagamento.
  • Depois, você mede despesas essenciais e dependentes econômicos.
  • Em seguida, você propõe percentual razoável e justificável.
  • Então, você protege a subsistência e mantém a efetividade da execução.

Quadro comparativo: penhora de salário x penhora de FGTS

TemaRegraPonto decisivo
Penhora de salário Você admite mitigação da impenhorabilidade em casos excepcionais. Assim, o juiz preserva o mínimo existencial e fixa percentual razoável.
Penhora de FGTS Você aplica impenhorabilidade absoluta, em regra, por lei específica. Portanto, a execução comum não autoriza constrição ou diligência “para futura penhora”.

Base jurídica usada pelo STJ na penhora de salário

O STJ aplicou o art. 833, IV, do CPC com mitigação, mesmo em dívida não alimentar. Além disso, o STJ cobrou equilíbrio entre menor onerosidade e interesse do credor.

Assim, a execução deve manter máxima efetividade, sem violar dignidade e subsistência. Portanto, o Tribunal local precisa investigar a renda e definir percentual adequado.

Checklist pronto para petição: penhora de salário

  1. Primeiro, você comprova tentativas frustradas de localizar bens e valores.
  2. Depois, você demonstra a necessidade da medida para efetividade da execução.
  3. Em seguida, você pede apuração da fonte de rendimentos do executado.
  4. Então, você sugere percentual inicial e justifica com o mínimo existencial.
  5. Por fim, você pede decisão fundamentada, com contraditório e ajustes se necessário.

Erros que derrubam a penhora de salário

  • Você pede percentual alto e ignora despesas essenciais.
  • Você não mostra que faltam outros meios efetivos de execução.
  • Você não delimita prazo, revisões e mecanismos de ajuste.
  • Você trata o salário como se fosse patrimônio livre e disponível.

Conclusão: penhora de salário exige método

A decisão do STJ impede negativas automáticas e exige exame concreto da penhora de salário. Portanto, você aumenta a chance de deferimento quando você prova necessidade e preserva subsistência.

Paulo Vitor Faria da Encarnação

Veja mais