Responsabilidade civil de advogados: quando cabe indenização no Espírito Santo

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Responsabilidade civil do advogado no Espírito Santo: quando o cliente pode pedir indenização

Quando ocorre uma falha grave na atuação profissional, a responsabilidade civil do advogado pode gerar o dever de indenizar o cliente, inclusive aqui no Espírito Santo.

Guia rápido: neste artigo você verá, em linguagem simples, em quais situações um cliente pode cobrar a responsabilidade civil do advogado, como provar o erro e quais indenizações são possíveis.

O que é responsabilidade civil do advogado no ES

A responsabilidade civil do advogado, no Espírito Santo, surge quando o profissional causa prejuízo ao cliente por culpa, isto é, por negligência, imprudência ou imperícia.

A lei exige prova de três elementos básicos, porque a responsabilidade civil do advogado é subjetiva.

Elementos que o cliente deve provar:
  • Conduta culposa do advogado (omissão, erro grave ou desleixo).
  • Dano efetivo, material ou moral.
  • Nexo de causalidade entre a conduta e o dano sofrido.

Além disso, o Estatuto da OAB e o Código de Defesa do Consumidor reforçam a responsabilidade civil do advogado perante o cliente.

Bases legais principais:
  • Art. 14, § 4º, do Código de Defesa do Consumidor.
  • Art. 32 do Estatuto da OAB (Lei 8.906/94).
  • Arts. 186 e 927 do Código Civil.

Obrigação de meio: até onde vai o dever do advogado

A responsabilidade civil do advogado decorre de uma obrigação de meio, não de resultado, inclusive nos processos que tramitam no Espírito Santo.

Portanto, o profissional não responde simplesmente porque o processo foi perdido ou o acordo não aconteceu.

O que se analisa é se o advogado atuou com diligência, informação adequada e cuidado técnico compatível com o caso.

SituaçãoResponsabilidade civil do advogado?
Atuação diligente e técnica, mas o juiz decide contra o cliente. Em regra, não há responsabilidade civil.
Perda de prazo por desorganização interna do escritório. Em regra, há responsabilidade civil do advogado.
Falta de protocolo de ação dentro do prazo prescricional. Em geral, há responsabilidade civil do advogado.

Quando a responsabilidade civil do advogado fica caracterizada

A responsabilidade civil do advogado costuma ficar evidente quando o profissional praticamente não atua, mesmo após receber honorários.

Em um caso recente, analisado em Tribunal de Justiça, o escritório só havia protocolado uma única petição, que apenas mudava o nome do advogado cadastrado.

Não houve atuação efetiva nos processos, nem acompanhamento dos inquéritos, nem contato claro com a cliente, mesmo após um ano de mandato.

Condutas consideradas negligentes:
  • Não ajuizar ações contratadas, sem justificativa comprovada.
  • Não acompanhar inquéritos ou processos em andamento.
  • Não responder à cliente, nem prestar contas dos atos praticados.
  • Não comprovar diligências mínimas, apesar de ter recebido pagamentos.

Nessa situação, o Tribunal reconheceu a negligência e determinou a devolução dos valores pagos a título de honorários.

Dever de informação na relação advogado e cliente

A responsabilidade civil do advogado também se conecta diretamente com o dever de informação contínua ao cliente.

O profissional deve explicar riscos, etapas do processo, prazos e custos, em linguagem clara e compatível com o perfil do cliente.

Além disso, o advogado deve informar diligentemente cada avanço relevante do processo e registrar a comunicação de forma organizada.

Boas práticas de informação:
  • Registrar atendimentos por escrito, ainda que de forma resumida.
  • Enviar relatórios periódicos de andamento processual.
  • Formalizar orientações estratégicas por e-mail ou mensagem registrada.
  • Explicar claramente custos, riscos e possíveis desfechos.

Responsabilidade civil do advogado e dever de diligência

A responsabilidade civil do advogado exige, sempre, a análise do dever de diligência, ou seja, do cuidado que se espera de um profissional médio.

A doutrina destaca que o advogado assume um dever de vigilância constante sobre os processos que patrocina.

Assim, a omissão prolongada, sem qualquer movimento útil ou justificativa plausível, geralmente caracteriza culpa.

Dever profissionalExemplo prático no ES
Acompanhar prazos e intimações. Verificar diariamente o PJe ou eproc do TJES.
Manter dados do cliente atualizados. Conferir e atualizar contatos na procuração e no cadastro.
Prestar contas dos atos praticados. Informar pagamentos recebidos e despesas realizadas.

Que tipos de danos podem ser indenizados

A responsabilidade civil do advogado pode envolver tanto danos materiais quanto danos morais, conforme as peculiaridades de cada caso.

Em casos de mera inadimplência contratual, muitos tribunais têm afastado o dano moral automático.

Por outro lado, quando a conduta gera prejuízos graves e humilhação relevante, o dano moral pode ser reconhecido.

Possíveis indenizações:
  • Devolução de honorários pagos sem a correspondente prestação de serviços.
  • Reparação do valor que o cliente deixou de receber por perda de prazo.
  • Indenização por dano moral, em hipóteses mais graves.

Responsabilidade civil do advogado e teoria da perda de uma chance

Em algumas situações, os tribunais aplicam a teoria da perda de uma chance, dentro da lógica da responsabilidade civil do advogado.

Nessas hipóteses, a indenização não se baseia no resultado final, mas na chance real que o cliente perdeu por culpa do advogado.

Mesmo assim, é necessário demonstrar que havia probabilidade séria de êxito e não apenas uma expectativa remota.

Responsabilidade civil do advogado e relação com o Código de Defesa do Consumidor

A responsabilidade civil do advogado pode ser analisada com base no Código de Defesa do Consumidor, especialmente quando a relação é de consumo.

O artigo 14, § 4º, prevê que a responsabilidade do profissional liberal depende de prova de culpa.

Portanto, o cliente precisa demonstrar que o advogado não agiu com o cuidado que se espera de um profissional diligente.

Responsabilidade civil do advogado, LGPD e sigilo profissional

A responsabilidade civil do advogado também inclui o tratamento adequado de dados pessoais, especialmente após a vigência da LGPD.

O escritório deve adotar medidas de segurança e sigilo compatíveis com a sensibilidade dos dados de cada cliente.

Além disso, o uso de informações em peças, sites e redes sociais precisa respeitar o consentimento e a finalidade comunicada ao titular.

Cuidados práticos com dados de clientes:
  • Evitar citar nome completo de cliente em publicações sem necessidade.
  • Anonimizar informações sensíveis em materiais educativos.
  • Manter contratos e processos em sistemas seguros e com controle de acesso.

Exemplo prático adaptado à realidade capixaba

Imagine que um cliente de Vila Velha contrata um advogado para ajuizar ação de indenização por acidente de trânsito.

O profissional recebe honorários, porém não propõe a ação e deixa o prazo prescricional passar, sem qualquer justificativa.

Nessa hipótese, a responsabilidade civil do advogado é evidente, porque o cliente perde o direito de cobrar a indenização do causador do dano.

O que o cliente poderia pedir em juízo:
  • Indenização correspondente ao valor que buscaria na ação perdida.
  • Devolução dos honorários pagos ao advogado negligente.
  • Eventual dano moral, se houver humilhação ou repercussão grave.

Checklist para reduzir riscos de responsabilidade civil do advogado

A prevenção é sempre o melhor caminho, tanto para o advogado quanto para o cliente, no que se refere à responsabilidade civil.

Advogado deveCliente deve
Registrar tudo em contrato de honorários claro. Guardar cópias de contratos, recibos e mensagens.
Manter agenda organizada de prazos e audiências. Entregar documentos solicitados em tempo hábil.
Comunicar estratégias e riscos com transparência. Perguntar sempre que tiver dúvida sobre o andamento.

Links úteis sobre responsabilidade civil do advogado

Para aprofundar o tema, você pode consultar diretamente o Estatuto da Advocacia no site do Conselho Federal da OAB.

Além disso, vale acompanhar decisões e notícias no site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que frequentemente analisa casos de responsabilidade civil de profissionais.

Se você atua na advocacia, também é recomendável conferir materiais de boas práticas de atendimento em instituições de ensino e em entidades de classe.

Quando buscar ajuda jurídica especializada no Espírito Santo

Se você suspeita de falha na atuação do seu advogado, é importante procurar outro profissional de confiança, preferencialmente com experiência em responsabilidade civil do advogado.

Um novo advogado poderá analisar documentos, prazos, histórico de comunicações e avaliar se há viabilidade jurídica para ajuizar ação de indenização.

Em alguns casos, é possível tentar primeiro uma solução consensual, antes de ingressar diretamente em juízo.

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Atuação do Santos Faria Sociedade de Advogados

Nosso escritório, sediado em Vila Velha, atua com foco em Direito Processual Civil e responsabilidade civil, com forte atenção ao dever de informação e à ética profissional.

Assim, nossa atuação prioriza prevenção de litígios, clareza na relação com clientes e uso de técnicas de visual law e legal design para tornar o Direito mais acessível.

Além disso, respeitamos integralmente o sigilo profissional e as diretrizes da LGPD no tratamento de dados pessoais.

Sobre o autor:

Autor: Paulo Vitor Faria da Encarnação. OAB/ES 33.819. Mestre em Direito Processual pela UFES. Santos Faria Sociedade de Advogados.

Este texto possui caráter exclusivamente informativo e não substitui consulta individualizada com advogado de confiança, especialmente diante das particularidades de cada caso concreto.

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